A inspeção quase nunca é o problema. Quem responde pela manutenção numa indústria pequena costuma saber o que olhar no compressor e na empilhadeira — o roteiro está na cabeça e, na maioria dos dias, é cumprido. O que se perde é o depois: o técnico anota “vazamento na conexão” no caderno, a folha volta para a bancada, e três semanas depois ninguém sabe se aquilo foi corrigido nem quem ficou responsável. Quando se repete, a inspeção vira ritual — continua consumindo a manhã de alguém e não muda decisão nenhuma.

Este é um modelo de checklist de inspeção de equipamentos montado para fechar esse ciclo dentro do Excel, sem macro e sem sistema — uma planilha de inspeção pronta para usar no mesmo dia em que você baixa. Você inspeciona, marca, e o que reprovou vira pendência no plano de ação, com responsável, prazo e prioridade.

A planilha em resumo

  • Gratuita, sem cadastro e sem e-mail
  • Download imediato, direto no botão acima
  • Excel (.xlsx) com 11 abas, na ordem do trabalho
  • Sem macros e sem fórmulas matriciais
  • Abre no Google Sheets e no LibreOffice
  • Painel com conformidade, pendências e inspeções vencidas
  • Plano de ação com responsável, prazo e prioridade
  • Criticidade de 0 a 10 definida por item, não pelo técnico

O que a planilha faz

São onze abas, na ordem do trabalho. Você cadastra as máquinas em Equipamentos — TAG, tipo, setor e de quantos em quantos dias inspecionar — e monta o catálogo em Itens Inspecionados, uma linha por item de verificação, com a criticidade de cada um. Como o catálogo é por tipo de máquina, você escreve uma vez e ele vale para todas as unidades daquele tipo. Dali sai a Folha de Campo, o checklist impresso, com as caixas de OK, N.OK e N/A.

De volta da inspeção, você cola o bloco de Modelo para lançamento em Lançar Resultado e marca as respostas. O resto se arma sozinho: Plano de ação junta o que reprovou com prioridade e prazo, Resumo por inspeção e Painel mostram conformidade e pendências, e cada máquina passa a avisar quando a próxima inspeção vence. Vem com oito tipos de máquina, sessenta e seis itens de catálogo, dez equipamentos e cinco inspeções de exemplo, para você ver os indicadores rodando antes de colocar os seus.

Painel da planilha de inspeção com dez equipamentos cadastrados, uma inspeção atrasada, cinco máquinas sem histórico, 64% de conformidade, dois bloqueios e doze pendências abertas, mais a lista de prioridade alta em aberto e os gráficos por situação da inspeção e por prioridade
O painel rodando sobre os dados de exemplo: cinco inspeções lançadas em dez equipamentos. Repare nos dois bloqueios ao lado dos 64% de conformidade - são itens de criticidade 10 reprovados, e é justamente essa diferença que o índice médio esconde.

Como a criticidade e a nota funcionam

Só existem três respostas: OK, N.OK e N/A. A gravidade não está na resposta — está na criticidade do item, que você define uma vez no catálogo, numa escala de zero a dez.

NotaCriticidadeO que significa
0Conforme / N/AItem aprovado, ou que não se aplica a esta máquina.
3ObservaçãoRegistrar no relatório; não exige ação agora.
5Programar correçãoEntra no planejamento de manutenção.
7Corrigir na próxima paradaNão pode esperar o próximo ciclo.
9Corrigir imediatamenteRisco relevante.
10BloqueioA máquina não deve operar até a correção.

A conta é direta: N.OK aplica a criticidade do item; OK e N/A aplicam zero. Você nunca digita a nota. Assim, N.OK em “cavaco acumulado na bandeja” (criticidade 3) é uma observação, e N.OK em “botão de emergência funcional” (criticidade 10) é um bloqueio — a mesma marcação do técnico produz consequências diferentes, porque a diferença estava registrada antes da inspeção.

Item cuja nota ficar igual ou acima de cinco entra no plano de ação. A prioridade sai da própria nota: oito ou mais é alta, de cinco a sete é média, abaixo disso é baixa.

Repare que zero é conforme: nota alta significa problema grave, não item aprovado. É a convenção do Andonize, e existe por um motivo prático — item conforme e item que não se aplica recebem os dois zero, então nenhum deles polui o relatório que vai para o cliente ou para o auditor.

Como priorizar as não conformidades de uma inspeção

A forma mais comum de tratar o que reprovou é pela ordem em que apareceu: a lista é percorrida de cima para baixo e a primeira pendência resolvida é a da primeira máquina inspecionada — não a mais grave, apenas a que veio antes. Quando a semana aperta, o critério silenciosamente vira outro: resolve-se o que o gerente cobrou.

Decidir a gravidade na hora é decidir no pior momento. Em campo, com a máquina parada e a produção esperando, tudo parece urgente — e quando tudo é urgente, a prioridade fica com quem fala mais alto. A saída é tirar essa decisão do campo: a gravidade pertence ao item, não à inspeção. Alguém que conhece o equipamento define, uma vez e com calma, quanto pesa cada verificação; depois disso o técnico só responde se está conforme ou não.

Um exemplo mostra o efeito. Uma prensa hidráulica com vinte itens verificados, dezenove conformes e um reprovado, fecha noventa e cinco por cento de conformidade. Um torno mecânico com os mesmos vinte itens, quatorze conformes e seis reprovados, fecha setenta. Pelo índice, o torno entra na frente — só que os seis itens dele são acúmulo de cavaco e limpeza, e o único item reprovado da prensa é o botão de emergência.

É por isso que a média de conformidade serve para acompanhar tendência e não para priorizar: ela trata todos os itens como se pesassem igual, e justamente o item que interrompe a operação desaparece no meio dos que não interrompem. Um corte por nota resolve. Nesta planilha o corte é cinco, e o número importa menos que a existência dele: um critério definido antes é defensável, um critério definido na hora é opinião.

Inspeção não é a rotina de manutenção

Esta planilha responde “está conforme?”. A pergunta “foi feito?” — drenar o condensado, tensionar a correia, anotar a temperatura — é de outra folha, mais simples e de quem convive com a máquina todo dia: o checklist de manutenção de equipamentos, com treze tipos prontos, a ficha do equipamento no topo e uma coluna de leitura. Os dois se completam: a leitura fora do normal que aparece na rotina costuma ser o que a inspeção encontra reprovado na semana seguinte, se ninguém agir antes.

Requisitos

Excel 2010 ou superior, Google Sheets ou LibreOffice. Sem macro, sem fórmula matricial e sem nada que precise de versão recente — abre em qualquer lugar. Os dados de exemplo usam datas relativas a hoje, por isso aparecem como fórmula: apague tudo e digite as suas.

Perguntas frequentes

Preciso me cadastrar para baixar?

Não. O download é direto, sem formulário e sem e-mail. Use e adapte à vontade no seu trabalho, inclusive com os seus clientes — o que não vale é revender o arquivo nem publicá-lo em outro site como material próprio.

Funciona no Google Sheets?

Funciona. Não há macro nem fórmula matricial, então ela abre e recalcula no Excel 2010 ou mais novo, no Google Sheets e no LibreOffice, sem conversão.

Posso adaptar para os meus equipamentos?

É para isso que ela existe. Os oito tipos que vêm no arquivo são exemplo — apague, crie os seus em Itens Inspecionados e defina a criticidade de cada verificação. Como o cadastro é por tipo de máquina, o trabalho é feito uma vez e vale para todas as unidades daquele tipo.

Quantas máquinas ela suporta?

Cinquenta equipamentos, quatrocentos itens de catálogo, cento e vinte inspeções e duas mil linhas de resultado — para uma equipe enxuta, alguns anos de operação.

O que muda quando deixa de ser planilha

Se a sua dúvida é como essa rotina acontece na prática, além da planilha, a resposta está em Como montar um checklist de inspeção. É lá que mostramos como o roteiro é descrito uma vez e passa a valer para todas as máquinas do mesmo tipo, como a medição acusa o valor fora da faixa ainda com o técnico na frente do equipamento, como a foto é marcada no ponto exato do problema e como o que reprovou vira uma pendência 5W2H com responsável e prioridade.