A maioria das equipes de manutenção tem relatórios. O que quase nenhuma tem é a resposta para a pergunta que aparece quando alguém pergunta pelo equipamento: o que já foi feito nesta máquina? Os relatórios existem, um por serviço, espalhados por pastas, e-mails e blocos de anotação. Juntá-los em ordem, seis meses depois, é uma tarde de trabalho — e é justamente quando ninguém tem uma tarde.
Esta ficha de registro de manutenção é o outro formato: em vez de um documento por serviço, uma folha por máquina, com as intervenções acumuladas em ordem. Cada bloco carrega os dados que a NR-12 pede de um registro de manutenção, incluindo o que quase todo modelo esquece — a conclusão sobre as condições de segurança do equipamento.
O material em resumo
- Gratuito, sem cadastro e sem e-mail
- Word (.docx), A4, mais uma página de instruções
- Uma folha por equipamento, com as intervenções acumuladas
- Os sete dados que o item 12.11.2 da NR-12 pede
- Linha de parecer conclusivo em cada intervenção
- Quadro do ativo com TAG, localização, série e horímetro
- Exemplo completo preenchido, de uma prensa hidráulica
- Abre no Word, no Google Docs e no LibreOffice
Os sete dados que o registro de manutenção precisa ter
A NR-12 é incomumente específica neste ponto. O item 12.11.2 determina que as manutenções sejam registradas “em livro próprio, ficha ou sistema informatizado interno da empresa”, e lista o conteúdo em sete alíneas:
| Alínea | O que o registro precisa ter | Onde fica na ficha |
|---|---|---|
| a | Intervenções realizadas | O bloco existir já é a alínea: uma intervenção, um bloco |
| b | Data da realização de cada intervenção | Campo Data, no alto do bloco |
| c | Serviço realizado | Campo Serviço realizado |
| d | Peças reparadas ou substituídas | Campo Peças, na segunda linha |
| e | Condições de segurança do equipamento | Campo Condições de segurança |
| f | Indicação conclusiva quanto às condições de segurança da máquina | Linha Parecer conclusivo, destacada |
| g | Nome do responsável pela execução das intervenções | Campo Responsável |
Duas leituras mudam o jeito de preencher.
A primeira: a alínea “f” não é a alínea “c” outra vez. A “c” pede o serviço — “trocado o pressostato de segurança”. A “f” pede uma conclusão sobre a máquina — “liberado, em condições seguras de operação”. São frases diferentes, e um registro que descreve tudo e não conclui nada está incompleto. É por isso que, nesta ficha, o parecer tem uma linha própria, destacada, com as três opções escritas: liberado, liberado com restrição, bloqueado — o mesmo vocabulário do relatório de inspeção, para quem usa os dois documentos não precisar traduzir. Quem preenche apaga os dois que não se aplicam e, quando escolhe “liberado com restrição”, escreve qual é a restrição — porque restrição que não é escrita não é cumprida.
A segunda: “sistema informatizado” está no texto da norma, lado a lado com o livro e a ficha. Registro digital não é tolerado como alternativa; é uma das três formas previstas. Esta ficha é a forma em papel da mesma coisa, e serve tanto para quem prefere a folha na máquina quanto para quem quer entender o conteúdo antes de escolher um sistema.
O item 12.11.2.1 completa a exigência: o registro fica disponível aos trabalhadores envolvidos na operação, na manutenção e nos reparos, à CIPA, ao SESMT e à Auditoria-Fiscal do Trabalho. Registro que só o setor de manutenção enxerga não atende ao item — por isso a ficha tem, no fim, onde ela é guardada e quem responde pela guarda. O artigo sobre a NR-12 percorre o resto da norma, capítulo por capítulo.
Um exemplo preenchido, para calibrar o grau de detalhe
A ficha vem com um exemplo completo: as três primeiras intervenções de uma prensa hidráulica. Ele existe porque o erro mais comum não é deixar campo em branco — é preencher raso.
Na primeira, uma preventiva: troca do óleo hidráulico e dos filtros, reaperto das fixações do cilindro. As peças estão discriminadas com quantidade; as condições de segurança dizem o que foi conferido — comando bimanual funcional, proteção fixa íntegra e fixada, parada de emergência acessível — e não “tudo ok”. O parecer é uma frase de conclusão.
Na segunda, uma corretiva: o pressostato de segurança não desarmava no limite ajustado. Repare no parecer: ele cita o reparo imediato do defeito que comprometia a segurança, que é o que o item 12.11.5 exige. Defeito de segurança não vira pendência com prazo — vira reparo na mesma intervenção, ou a máquina não volta.
Na terceira, uma preventiva que encontrou algo: a mangueira do cilindro principal com a capa ressecada, sem vazamento e sem malha exposta. O parecer é “liberado com restrição”, com a data da troca já marcada e a inspeção visual por turno até lá. É este o bloco que mostra a diferença entre registrar e apenas anotar.
O que vem na ficha
São quatro seções, em A4, mais uma página de instruções que você apaga antes de usar.
1. Identificação do equipamento — a sua empresa e o cliente ou a unidade, o setor e o responsável pelo equipamento, e o quadro do ativo com TAG, localização, fabricante e modelo, descrição, número de série ou patrimônio e a leitura do horímetro. É o mesmo quadro dos outros modelos do site, o que permite cruzar a ficha com a ordem de serviço e com a relação de ativos pela mesma TAG.
2. Registro das intervenções — cinco blocos em branco, cada um com os sete dados. Encheu, você copia um bloco vazio e cola no fim, ou imprime outra folha.
3. Disponibilidade da ficha — onde ela fica guardada e quem responde pela guarda, que é o que o 12.11.2.1 cobra na prática.
4. Exemplo preenchido — as três intervenções da prensa, para consulta. Apague a seção antes de colocar a ficha em uso.

Esta ficha e o relatório de manutenção não são o mesmo documento
O relatório de manutenção é um documento por intervenção: problema, serviço, peças, horas, fotos de antes e depois, condição final, assinaturas. Ele é o que você entrega ao cliente ou arquiva depois de um serviço grande.
A ficha é uma folha por máquina, com uma linha de história por intervenção. Ela não substitui o relatório — resume-o. Quem faz os dois escreve o relatório no fim do serviço e leva três linhas dele para a ficha, que é o que alguém vai ler quando quiser saber a vida do equipamento. Quem faz só um dos dois normalmente faz o relatório, e é por isso que o histórico não existe.
Uma comparação útil: o relatório é a nota; a ficha é o extrato.
O início de turno não entra aqui
Vale uma delimitação, porque ela evita trabalho desnecessário. O item 12.14.2 obriga o operador a fazer uma inspeção rotineira no começo de cada turno. O 12.14.2.1 diz, com todas as letras, que o registro dessa inspeção não é obrigatório.
Ou seja: a ficha é das manutenções, que precisam ser registradas. A conferência diária do operador é obrigatória de fazer e facultativa de registrar — e, se a sua empresa quiser registrá-la mesmo assim, o lugar é uma folha de checklist, não esta ficha. O checklist de manutenção de equipamentos tem os itens de rotina por tipo de máquina e serve para isso.
Registrar o início de turno é ir além do mínimo, por decisão própria. Costuma haver bom motivo: é esse registro que mostra que a trinca detectada na terça já estava anotada na segunda.
Como usar no dia a dia
Uma ficha por máquina, e a mesma TAG que você usa no resto dos documentos. Duas prensas iguais têm duas fichas, porque têm históricos diferentes.
Se a intervenção tem um procedimento operacional padrão escrito, a ficha é o registro que ele gera: o POP diz como fazer, a ficha prova o que foi feito e em que condição a máquina ficou.
O bloco se preenche no fim da intervenção, por quem executou — não no dia seguinte, e não pelo escritório a partir de um recado. Se a intervenção gerou relatório, escreva o número dele no campo de serviço: a ficha vira o índice e o relatório fica sendo o detalhe.
Quando a folha encher, imprima outra, repita os dados do ativo no topo e numere as folhas. O histórico da máquina é a sequência das folhas, não a última.
E guarde onde quem opera sabe encontrar. Uma ficha correta, trancada numa gaveta que só a manutenção abre, deixa de cumprir a parte do 12.11.2.1 que fala em disponibilidade.
Uma ressalva honesta
Esta ficha organiza o registro. Ela não certifica nada, não substitui profissional legalmente habilitado e não emite documento de responsabilidade técnica — e documentação organizada, sozinha, não caracteriza atendimento à NR-12, que trata de proteções, dispositivos, procedimentos, capacitação e muita coisa que não cabe numa folha. O que a ficha resolve é a parte documental: o conteúdo que o 12.11.2 pede, num formato que sobrevive à rotina.
Requisitos
Word 2010 ou superior, LibreOffice ou Google Docs. É um .docx comum, sem macro. Para trocar o logo, dê dois cliques no topo da página e substitua a imagem do cabeçalho; para trocar a cor, use Substituir com a cor da fonte. A página de instruções explica os dois passos e sai do documento com um Delete.
O que muda quando deixa de ser papel
A folha resolve bem uma máquina. Resolve mal cinquenta, porque a pergunta muda: deixa de ser “o que foi feito nesta prensa” e passa a ser “quais equipamentos estão com parecer de restrição agora”, que nenhuma pasta responde.
No Andonize, a ficha é o próprio ativo: cada intervenção entra pela ordem de serviço e fica no equipamento, com foto, parecer e responsável, e o histórico se monta sozinho. NR-12 na prática mostra o caminho da inspeção até o registro, e gestão de ativos mostra a ficha do equipamento com o histórico consolidado.
Perguntas frequentes
A NR-12 obriga a usar ficha?
Não obriga a usar ficha especificamente. O item 12.11.2 cita três formas lado a lado — “livro próprio, ficha ou sistema informatizado interno da empresa” — e o que ele cobra é o conteúdo: as sete alíneas, com a indicação conclusiva sobre as condições de segurança, disponível a quem o 12.11.2.1 lista. A ficha é uma das três formas, e é a mais simples de começar.
O que escrever no parecer conclusivo?
Uma conclusão sobre a máquina, não um resumo do serviço. “Liberado, em condições seguras de operação.” “Liberado com restrição: operar até 25/08, quando a mangueira será substituída.” “Bloqueado: máquina fora de operação até a substituição da proteção fixa.” Se o texto do parecer puder ser lido sem se saber qual foi o serviço, ele está certo.
E se a intervenção não trocou nenhuma peça?
Escreva “nenhuma”. Campo em branco é ambíguo — quem lê depois não sabe se não houve peça ou se ninguém preencheu. A alínea “d” pede o dado; “nenhuma” é o dado.
Serve para veículos e outros ativos?
Serve. O quadro do ativo aceita qualquer equipamento, e os sete campos do bloco não são específicos de máquina industrial. A NR-12 trata de máquinas e equipamentos, mas o formato — uma folha por bem, com as intervenções em ordem — é o mesmo para frota, instalação predial ou instrumento. Para veículos, troque TAG por placa e horímetro por quilometragem.
Posso preencher no computador em vez de imprimir?
Pode. É um .docx comum: você preenche os campos entre colchetes, salva e imprime só quando precisar. Neste caso vale guardar o arquivo em pasta por TAG, com a data no nome, para não sobrescrever a versão anterior sem querer.
Quantas intervenções cabem na folha?
Cinco blocos em branco vêm no modelo. Para mais, selecione as três linhas de um bloco vazio, copie e cole no fim da tabela — ou imprima outra folha e numere (1 de 2, 2 de 2).
